29 de julho de 2016

O dia em que voltei à minha Paz




Era Verão. Estava, finalmente, calor! As pessoas, que tinham passado 9 calmos meses à espera da chegada do Verão, corriam apressadas nas ruas em busca das sombras, ansiavam pelas bebidas frescas e recarregavam forças sob a energia poderosíssima do Sol. Eu ansiava por uma cama bem confortável e por entrar em modo de hibernação... Estava calor, as pernas pesavam e doíam cada vez mais, as costas rangiam enquanto sentia as vertebras a roçarem umas nas outras. Felizmente as dores nas costas andavam controladas. Não estava a ser o pior Verão que tivera, mas a angústia de saber o que o futuro se preparava para me presentear jogava-me para o canto mais escuro da casa.
Estava a ser difícil aceitar. Estava a ser difícil acreditar que poderia dar a volta à situação, apesar de acreditar piamente no caminho que seguia. Aquela dificuldade estava a tomar proporções avassaladoras! De repente já não era só o corpo que sofria, era também a mente, a casa, a família… Lembrava-me muito de uma frase que a minha irmã (pouco sensível a essas coisas) me dissera umas semanas antes: "O que é que te aconteceu? Tu tinhas sempre tanta paciência! Agora chateias-te logo com tudo!". Minha querida irmã, ainda não se havia apercebido da realidade da minha situação, da realidade que iria enfrentar em breve… Mas ela tinha razão, de repente andava a gritar com tudo e com todos! [pausa] Foi aquele grito. Foi aquele grito e aquela chamada de atenção que me fizeram cair a ficha. E aí percebera. Aí percebera que teria que enfrentar o futuro fosse por como fosse, pois tinha duas opções: continuar como estava, ou procurar uma alternativa. Decidira ir pela alternativa e o meu querido Universo (obrigada!) dava-me um empurrãozinho. Novas consultas marcadas, apoio e força da família recebidos e deparava-me com vários temas (em que já me havia interessado num passado próximo, mas que haviam ficados fechados numa gaveta). Mesmo nas trombas para não poder fugir nem desviar o olhar! Foi então que percebera que me havia desviado imenso do caminho em que acreditara e em que me sentia feliz.
Decidira trazer um livro comigo a pensar que me iria ajudar apenas a tirar o lixo da casa e a mantê-la o mais simples, mas confortável possível. Quando o começara a ler percebera: aquele livro não me iria só ajudar a tornar a minha casa mais feliz, aquele livro iria ajudar-me a tornar a minha vida mais feliz, pois os seus ensinamentos de fundo poderiam ser aplicados a várias áreas fundamentais, sendo que o primeiro propósito, o mais importante e fundamental era só um: ser e viver feliz!
Começara a pensar em tudo de outra forma. Analisara tudo, começara a traçar os meus objectivos, a pensar nos caminhos possíveis e em qual seria o melhor para mim. Foi então que voltara a sentir a minha Paz. Foi então que soubera que tinha voltado ao meu caminho e que tudo iria correr bem. Voltara a ter, ainda que aos poucos, o controlo da minha vida. Percebera que a melhor forma de enfrentar a vida era assim mesmo, com calma, mas com força.